Os finalistas da categoria “Start Up” do prémio Altice International Innovation Award prometem trazer inovação a setores tão diversos como a saúde ou o comércio eletrónico com as suas soluções disruptivas.

Quando o vencedor da categoria “Start Up” subir ao palco, a 13 de novembro, vai receber, em conjunto com o prémio monetário do Altice International Innovation Award a oportunidade de realizar uma prova de conceito com a mentoria da Altice Labs. Um dos atrativos que levou startups portuguesas e francesas a concorrer com os projetos que agora apresentamos, por ordem alfabética e sem qualquer tipo de hierarquia.

Inovação nacional

A Heptasense é uma solução criada numa ótica business to business (B2B) a pensar no comércio e empresas. Com esta solução qualquer webcam pode ser ligada a uma plataforma online – o que em si é um elemento de inovação -, possibilitando a criação de informação analítica sobre as imagens de vídeo captadas. Com mais 20 aplicações disponíveis, a plataforma permite não só captar uma série de dados sobre as imagens captadas pelas várias câmaras, como analisar dados específicos, permitindo, por exemplo, a contagem do número de indivíduos que passa num determinado local ou determinar qual o ponto em que se reuniram mais pessoas durante um determinado período de tempo.

Para Ana Patrícia Monteiro, coordenadora da equipa de innovation ecosystem management da Altice Labs, este é o tipo de solução que pode ser aplicada tanto na indústria automóvel, como em espaços comerciais – ajudando, por exemplo, a determinar quais os lugares em que as lojas têm uma maior exposição ao público – ou mesmo por motivos de segurança. “Poderá ver o local onde mais peões atravessam fora da passadeira, ou onde existem mais movimentações estranhas, fazendo prever que ali seja um local com maior número de casos de roubo ou violência, já que a própria natureza dos movimentos é analisada”, explica.

Por seu turno, a iLoF utiliza inteligência artificial sobre big data para analisar a informação recolhida nos rastreios para os ensaios clínicos nos doentes de Alzheimer. O objetivo final – a redução do custo dos ensaios clínicos e uma pré seleção de pacientes com maiores probabilidades de serem compatíveis com os requisitos do ensaio – é conseguido graças a uma pequena superfície desenvolvida pela iLof: um suporte físico semelhante a uma lamela sobre o qual é colocada uma única gota de sangue e que, graças a um componente fotónico permite converter para formato digital toda a informação nela contida, a qual será convertida em dados que serão analisados por algoritmos de inteligência artificial.

Atualmente, o processo de seleção nos ensaios clínicos associados aos processos de rastreio da doença de Alzheimer são bastante dispendiosos, uma vez que implicam a realização de exames a todos os possíveis candidatos que passam a entrevista inicial. “Esta solução propõe que a informação gerada pela recolha do componente fotónico seja uma nova fase entre o processo de entrevista e o processo de triagem médica de modo a que só os pacientes que cumpram os parâmetros definidos passem para a fase seguinte, o que permite fazer depuração dos pacientes válidos para exames médicos com custos muito mais baixos”, diz Ana Patrícia Monteiro. Além disso, ao aceder aos dados contidos no sangue, o sistema passa a ter informação que, no futuro, poderá ajudar na deteção precoce de outras doenças ou potenciar o sucesso de outros ensaios clínicos.

Outro das startups a concurso é a YData, dedicada à monetização de dados, numa ótica atualmente em voga entre as empresas de tecnologia de informação, que é a do data as a service – dados vistos como um serviço.

A YData fornece diversos data sets – tipologias de dados devidamente anonimizados relacionados com diversas áreas de atividade – suportados por uma plataforma de e-commerce de dados. “Isto vai permitir às empresas pesquisar, visualizar e fazer o download de amostras de dados, adquirindo-os com o intuito de ter inputs válidos para os seus negócios”. Explica Ana Patrícia Monteiro que este é um tipo de serviço que surgiu na senda do big data. “No mar de informação que existe atualmente, muitas vezes os próprios operadores têm dificuldade em perceber o que fazer com e como monetizar estes dados. Não só para terceiros como para si, de modo a perceber quais as ilações a tirar dos dados e que alterações devem ser feitas ao nível da estratégia e da atuação. E é neste aspeto que este serviço marca a diferença”, diz a responsável do Altice Labs.

Audácia vinda de França

Entre as startups francesas a concurso, a Ecodisplay aposta em tornar energeticamente eficientes os dispositivos com informação presentes nos espaços públicos e locais de trabalho, apostando ainda na interconetividade entre dispositivos.

“O que é proposto é o desenvolvimento de três dispositivos de dimensões diferentes e a respetiva plataforma de gestão associada – através da qual é possível, por exemplo, fazer o agendamento do que vai ser projetado ou fazer o upload remoto da informação -, que assegura a conetividade do sistema e procura, através da tecnologia utilizada, garantir a máxima eficiência energética”, explica Ana Patrícia Monteiro. Além disto, a Ecodisplay propõe-se estar integrado com os digital twins, um tipo de solução muito utilizada na indústria 4.0.

Neste caso é no modelo de negócio, que apresenta o produto como um serviço (PAS), e não os componentes utilizados na solução, que reside o aspeto inovador do projeto.

Também a IXXO BLOCKCHAIN se propõe trabalhar a eficiência energética associada ao blockchain – uma cadeia de transacções supostamente invioláveis, não acessíveis de uma só vez. “A necessidade de ter a dispersa, faz com o recurso ao blockchain não seja uma solução energeticamente eficiente. Os custos energéticos para manter os fluxos de blockchain deixam uma pegada bastante elevada no nosso planeta”, esclarece Ana Patrícia Monteiro.

Das várias aplicações do blockchain, aquela que mais relevo tem, prende-se com as moedas digitais e o que este projeto propõe fazer é a melhoria do código base da moeda virtual, neste caso o Ethereum, fazendo ainda um cruzamento com as redes sociais. “Esta startup propõe-se ser um intermediário de pagamento de tokens, que estará disponível para que as compras feitas nas redes sociais sejam mais eficientes do ponto de vista energético, usando para isso uma melhoria do código base do Ethereum”, explica a responsável da Altice Labs.

Por último, a TrackAp desenvolveu um sistema de geolocalização focado especificamente nas bicicletas. O tracker criado pela TrackAp, além de fazer a georeferenciação do veículo a todo o momento, tem um sistema de alarme que emite um alerta em caso de acidente. “Além disso, como está permanentemente a recolher dados, permite saber quais os percursos das bicicletas que fazem parte de uma frota, bem como os padrões de vibração a que estas estão sujeitas, o que vai permitir implementar uma lógica de manutenção preditiva”, afrma Ana Patrícia Monteiro.

Especialmente pensado para as empresas de distribuição que cada vez mais recorrem à bicicleta, o TrackAp também pode ser útil para as autarquias, onde as frotas de bicicletas estão a ganhar popularidade. “Por exemplo, no caso de Aveiro, as BUGAS (bicicletas de utilização gratuita de Aveiro), que tivessem um sensor deste seriam facilmente rastreáveis e também se tornaria fácil perceber, através de um dashboard, que bicicletas necessitam de uma manutenção em breve”, diz Ana Patrícia Monteiro.