O recurso à inteligência artificial, machine learning ou a criação de modelos de negócio inovadores marcam a diferença nos projetos finalistas da categoria “academia” do Altice International Innovation Award.

São seis os finalistas que em novembro vão lutar pelo primeiro lugar na categoria “Academia” do prémio Altice International Innovation Award. As áreas de aplicação são as mais diversas, do uso doméstico aos palcos, passando pelo setor do turismo e pela indústria automóvel, tal como o tipo de soluções tecnológicas propostas. Em comum têm o caráter disruptivo com que se propõem marcar a diferença.

Entre os candidatos portugueses, contam-se dois projetos de doutoramento e um de mestrado, sendo os franceses todos trabalhos de alunos de mestrado, tal como aconteceu na edição de 2018. Damos agora a conhecer um pouco melhor cada um deles, apresentados por nacionalidade e ordem alfabética, sem qualquer tipo de hierarquização.

Finalistas de Portugal…

Tendo como áreas de atuação a inteligência artificial, o machine learning eo big data, projeto Knowledge Extraction from Semi-structured Sources propõe uma solução inovadora para a organização de grandes bases de dados. “Num mundo de hoje em que se fala de big data e de grandes quantidades de dados, é muito difícil categorizar e criar uma relação entre os dados a priori para que as bases de dados que suportam essa informação tenham alguma lógica.

Este projeto propõe o desenvolvimento de um modelo que, através de algoritmos seja capaz de detetar a relação que existe uma grande panóplia de dados e de propor uma estrutura, de modo a que o modelo da base de dados seja construído dinamicamente, sem o desenho prévio por parte de um ser humano”, explica Ana Patrícia Monteiro, coordenadora da equipa de Innovation Ecosystem Management  da Altice Labs, explicando que as soluções existentes atualmente não vão à origem para tentar resolver o problema. “Neste caso, é como se houvesse uma tábua rasa na qual, dinamicamente, é proposto um modelo. As soluções que já existem são como tábuas em que já existem pontos que devem ser cumpridos à partida”, explica. 

Outro dos candidatos debruçou-se sobre o estudo da atividade cerebral perante condições de condução extremas, tanto ao nível neuro-cognitivo como neuro-motor. Com o projeto Neural Motor Behaviour in Extreme Driving é proposto o cruzamento e análise da informação recolhida sobre as reações neuro-cognitivas e neuro-motoras de modo a tentar avaliar e prever a performance do ser humano e a partir daí tirar ilações que possam ser aplicadas no futuro a nível industrial, nomeadamente no setor automóvel, em veículos automáticos e semi-automáticos. “O objetivo é contribuir para esta área transferindo o conhecimento do humano para a máquina. Tentar recolher o máximo de informação possível e daí tirar dados para tudo o que tenha a ver com a condução autónoma e semi-autónoma”, explica Ana Patrícia Monteiro.

Outro dos finalistas nacionais apresenta um projeto com o qual pretende enriquecer o trabalho de pesquisa, consulta e o próprio consumo da informação. “Atualmente, a categorização automática de eventos ao vivo e de imagens capturadas pelos utilizadores nem sempre é a mais rica. Aquilo que o projeto Powering LiveEvent-Plot with Media AI propõe é o desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial que permitam fazer o cruzamento de diversos conteúdos publicados online – vídeos ou fotografias – vindos de fontes tão diversas como redes sociais, canais de televisão ou jornais, de maneira a que a meta-informação associada às bases de dados e aos eventos e conteúdos difundidos na televisão e meios digitais, seja o mais rica possível”, explica Ana Patrícia Monteiro.

Em termos práticos, a meta-informação sobre a imagem de uma árvore, poderá passar a informar o utilizador que está a ver uma macieira, com maçãs, num determinado pomar do país. Algo tornado possível pelo algoritmo de IA, criado para fornecer uma informação o mais assertiva e rica possível.

… e França

Desenvolvido de acordo numa ótica business to business (B2B), o projeto Aradia poderá vir a ter uma aplicação prática em espetáculos de palco, já que está baseado no desenvolvimento de um software que permite criar o primeiro projetor de luz que inclui, em simultâneo, animação e motorização. Com recurso a componentes óticos, o software permite criar animação e controlar diversos projetores em simultâneo. 

Já Culture Pic apresenta uma aplicação pensada para o setor do turismo. Trata-se de uma aplicação com uma lógica de funcionamento semelhante à da Shazam, aplicada a monumentos. “O que acontece é que o utilizador faz o upload da imagem de um determinado monumento e a aplicação diz de que monumento se trata e fornece alguns detalhes sobre o mesmo”, explica Ana Patrícia Monteiro. A aplicação parte de tecnologia já existente – algoritmos relacionados commachine learning e interpretação de imagem – mas foca-se numa área pouco explorada até aqui. “Neste caso, estamos a falar de reconhecimento e interpretação de imagens que, como são captadas pelo próprio utilizador, têm sempre associado algum ruído visual, o que as torna mais difíceis de interpretar”, diz Ana Patrícia Monteiro.  

O outro finalista francês propõe uma solução na área ambiental, para uso doméstico, tratando-se de um produto com serviço associado. Sorting and Collecting Organic Waste foi pensado para quem vive em apartamentos e, ainda assim, quer praticar a compostagem do lixo orgânico. “O que este finalista criou é um produto – um recipiente para a cozinha com microorganismos que optimiza o processo de compostagem e elimina os odores–associados a um serviço, já que os recipientes são alugados e recolhidos quando estão cheios, sendo que a recolha é feita com recurso a cargo-bikes, bicicletas com capacidade de transporte”, afirma Ana Patrícia Monteiro.

Independentemente da nacionalidade e natureza do projeto, a 13 de novembro todos os finalistas terão um pitch de três a cinco minutos para apresentar e defender a sua criação, perante o grande júri que os irá avaliar.